Por que a estratégia é importante para vencer

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Nos últimos meses tenho me dedicado a fazer palestras e reuniões com grupos de empresas de pequeno e médio porte para falar de práticas que podem ajudar a superar a crise e até a crescer em meio a ela. Pregar o crescimento dos resultados em meio à crise econômica pode parecer sonho, já que a maior parte das empresas está preocupada apenas em sobreviver, não é mesmo?

Mas crescer nestes tempos tão incertos não só é possível como algumas empresas já estão trilhando este caminho. Recentemente foi publicado o estudo 200 Pequenas e Médias Empresas Que Mais Crescem no Brasil elaborado pela consultoria Deloitte. O estudo, realizado anualmente desde 2005, revela que estas PMEs, de todas as partes do país e dos mais diversos setores da economia, cresceram 12% em média em 2014, já em meio à recessão (acesse o estudo na íntegra aqui).

Para nós não foi nenhuma surpresa quando o estudo apontou o que elas têm em comum: a visão de médio e longo prazo, foco e investimentos em gestão, capacidade de prever e resolver problemas e de superar a concorrência através da criação de novas ofertas e da inovação.

Mirar-se nos exemplos destas PMEs pode ser uma questão de vida ou morte, especialmente quando os economistas preveem que a presente crise deve ser menos profunda, porém muito mais longa e de recuperação mais lenta que as crises pelas quais já passamos.

Sem os motores do crescimento econômico recente (exportação de commodities a preços altos e alto consumo das famílias incentivado por transferência de renda e crédito fácil, etc.), para voltar a crescer o país terá que fazer o dever de casa e produzir ganhos de produtividade, através de profundos cortes por parte do governo em seus gastos e de investimentos em áreas estratégicas. No entanto, nos aproximamos do final do ano e não há nem sinal da adoção de uma política econômica que possa ser eficaz em termos de recuperação da economia. Como consequência, a confiança dos consumidores, empresários e investidores atingiu seu ponto mais baixo em décadas.

Enquanto o governo se debate para tentar enfrentar a dobradinha crise política/econômica, tarefa difícil diante da cisão de sua base aliada, os empresários enfrentam o desafio de conduzir suas empresas durante o longo período de retração e baixo crescimento do PIB que, nas previsões mais otimistas, deve durar pelos menos cinco anos.

A situação aflige mais fortemente as PMEs, cuja maioria, diferentemente das elencadas no estudo da Deloitte, se dedica unicamente a uma gestão operacional, apagando os “incêndios” de todos os dias. Ou que, nos melhores casos, estavam acomodadas em ilhas de sucesso que desapareceram como fumaça diante da crise.

Se nos tempos de bonança os problemas que afligem estas empresas podiam passar desapercebidos, em meio a um cenário de crise a ausência de lideranças no corpo gerencial, dificuldade em delegação, ausência de meritocracia, gestão financeira deficiente, baixo nível de controle através de métricas e indicadores de desempenho e inexistência de gestão da informação, levarão a, além dos resultados ruins, conflitos societários advindos da falta de visão de onde devem chegar e de como fazê-lo.

Na maior parte destas empresas, a evolução técnica não foi acompanhada da evolução gerencial, o que gera muita dificuldade na consolidação de uma visão estratégica e em estabelecer um plano consistente para atingir seus objetivos. A saída, então, é buscar ajuda de empresas especializadas.

Para as grandes empresas, é farta a oferta de consultorias que se dedicam a ajudá-las no desenho de planos estratégicos, na adoção das melhores práticas de gestão, na busca de ganhos de produtividade e consequente crescimento dos negócios. No entanto, mesmo com um mercado potencial enorme, há poucas consultorias dedicadas a levar soluções de planejamento e gerenciamento que realmente atendam às peculiaridades das PMEs.

A grande maioria das empresas deste porte, quando busca ajuda de consultorias, têm uma dificuldade muito grande para executar os projetos de mudança, que em sua maioria ficam esquecidos no fundo das gavetas. Assim, para atingir o sucesso e obter os ganhos que as empresas almejam, é preciso atuar de forma diferente das consultorias em geral. É necessário não apenas desenvolver um diagnóstico, um plano estratégico e um plano organizacional, como também participar de sua implementação nas questões estruturais e mais críticas.

Além disso, o trabalho deve ser específico para a atual fase da vida da empresa. Na primeira delas, a fase de ascensão dos negócios, a ajuda se dá através da estruturação para potencializar o crescimento. Na fase em que os resultados estão estagnados ou em declínio, o suporte visa, por meio da reestruturação, a criação de um novo ciclo de crescimento. Quando as empresas atingem a fase de perda de resultados e endividamento excessivo precisando de salvamento, o que deve ser feito é um efetivo trabalho de recuperação.

O agravamento da crise econômica provocou um salto na demanda de consultorias gerenciais, refletindo a percepção do valor agregado que estes serviços contemplam. Pois está comprovado que, para que as empresas sobrevivam a estes momentos de grandes dificuldades e até possam sair do outro lado mais fortes e competitivas que suas concorrentes, não basta apenas cortar custos. É preciso planejar, reestruturar-se e buscar competitividade.

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Marcos Lahoz